31 de agosto de 1957: Nasce Wagner Gomes, metroviário e sindicalista

Para Wagner, a divisão do movimento sindical serve apenas aos interesses do capital.

Por: Ana Cláudia Moreira Cardoso


Fonte: https://pcdob.org.br/noticias/entidades-sindicais-e-organizacao-lamentam-morte-de-wagner-gomes/

Com esta foto, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST se despediu de Wagner Gomes, no dia 10 de agosto de 2021, ressaltando:

“Quem luta pela união da classe trabalhadora sempre será amigo(a) do MST e jamais será apagado de nossa história”. (…) “Dessa forma, o companheiro Wagner parte, mas permanece em nossa memória como grande guerreiro da classe trabalhadora”. (1)

Neste dia, diversas outras entidades sindicais manifestaram sua tristeza com a partida de um grande líder sindical e sublinharam toda a sua luta e, sobretudo, sua defesa pela unidade de ação das centrais sindicais.

Mas quem foi Wagner Gomes e como ele contribuiu para a classe trabalhadora brasileira?

Wagner nasceu no dia 31 de agosto de 1957, no interior do estado de São Paulo, Araçatuba, indo para a capital em meados da década de 1970. Lá, trabalhou como office boy e depois na empresa de Telecomunicações de São Paulo – Telesp. Nesta empresa, já em 1977, foi demitido por ter participado da chapa de oposição à direção, e que foi derrotada.

Dois anos depois, Wagner Gomes começou a trabalhar na Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô, dando continuidade à sua ação sindical que vinha desde antes, com sua militância clandestina no Partido Comunista do Brasil (2). Na época, ainda não existia um sindicato, mas a Associação dos Empregados do Metrô de São Paulo – Aemesp. E quando fez parte da fundação do Sindicato dos Metroviários, em 1981, Wagner participou da primeira diretoria da entidade, sendo presidente do Sindicato entre 1989 e 1995 e, novamente, entre 2007 e 2010.

Os diversos relatos nos mostram que sua participação na luta junto à classe trabalhadora não ficou restrita aos metroviários, pois logo ele se tornou uma forte referência para todo o movimento sindical brasileiro. Wagner foi dirigente da Corrente Sindical Classista (CSC) e o primeiro presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, eleito no congresso de fundação, em 2007, e reeleito no segundo congresso, em 2009. Foi, também, da executiva nacional da Central Única dos Trabalhadores – CUT por várias gestões. Destacou-se ainda na política como membro da Direção Nacional do PcdoB, sendo candidato ao Senado por São Paulo juntamente com Aloisio Mercadante, quando recebeu mais de 3 milhões de votos.

Como dissemos no início, Wagner entendia que, para que a classe trabalhadora pudesse se fortalecer, diante da desigualdade em relação ao capital – detentor dos meios de produção e, igualmente, do poder político -, ela precisaria se unir. Entendia que a divisão interna do movimento sindical estava apenas a serviço do capital, enfraquecendo os trabalhadores e as trabalhadoras na defesa de direitos já conquistados pela classe ao longo da história, no acesso a novos direitos e, claro, na construção de uma sociedade socialista e livre da exploração.

No momento da sua morte, ele estava no cargo de secretário-geral da CTB. Após cinco anos após seu falecimento, esta entidade fez a seguinte dedicatória ao Wagner:

“sua memória não pertence apenas ao passado. Ela está presente nas lutas do presente e nos desafios do futuro, em cada trabalhador que se organiza, em cada sindicato que enfrenta a exploração, em cada mobilização por direitos, em cada batalha pela valorização do trabalho e pela construção de uma sociedade sem exploração.” (3)

Notas:

(1) Este link contêm a íntegra das diversas manifestações de entidades sindicais nacionais e internacionais: https://pcdob.org.br/noticias/entidades-sindicais-e-organizacao-lamentam-morte-de-wagner-gomes/

(2) Após muitas idas e vindas no que se refere à legalidade, foi apenas em 1985, com o fim do regime militar e o início da Nova República, que o PCB voltou a funcionar na legalidade.

(3) Citação tirada do seguinte site: https://www.ctb.org.br/2026/08/10/cinco-anos-sem-wagner-gomes/

Ana Cláudia Moreira Cardoso é socióloga, pesquisadora e formadora sindical. É membra do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora – IES-USP e da Academia Latinoamericana de Estudios sobre Riesgos Psicosociales en el Trabajo.


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Publicado em 02/09/26

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