Texto: Fernando Silvestre | Jornal USP
Um aspecto não mudou: o universo dos trabalhadores domésticos permanece majoritariamente feminino
Um estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) aponta que o número de mulheres empregadas nos serviços domésticos no Estado de São Paulo está diminuindo. Em 2012, elas representavam 14,2% do total de mulheres ocupadas no Estado. Em 2024, eram 11,5%. Enquanto em 2025, apenas 10,6%, o que contabiliza um total de 1,1 milhão de trabalhadoras.
Registro em carteira
Entre 2024 e 2025, o recuo foi de 7%, no geral, principalmente por conta da grande queda no número de trabalhadoras com carteira assinada: 17,2% menos, em um ano. Entre as profissionais sem carteira, entretanto, houve retração de 5,5% para aquelas que não contribuíam para a Previdência e aumento de 12,4% para as que faziam a contribuição. A participação de trabalhadoras com registro em carteira no total do setor caiu de 33% para 29%, enquanto a parcela das que não eram registradas aumentou de 67% para 71%.
Majoritariamente feminino
Um aspecto não mudou: o universo dos trabalhadores domésticos permanece majoritariamente feminino. Assim como no ano anterior, em 2025, mais de 90% do total de ocupados em atividades desse setor, no Estado de São Paulo, era de mulheres. Dessas, 56,5% eram negras; 64% tinham entre 40 e 59 anos de idade; 56% eram chefes de domicílio; e 40,5% haviam completado o ensino médio. A maioria dessas características se intensificou ao longo do tempo, como a participação das mulheres negras, que era de 48% em 2012. O nível de escolaridade melhorou bastante: em 2012, mais da metade das profissionais não tinha sequer completado o ensino fundamental.
Em 2025, a jornada média semanal das trabalhadoras domésticas com carteira assinada foi de 39 horas semanais – uma hora a mais do que a do total de ocupadas no Estado e dez horas maior do que a jornada das domésticas não registradas. Já o rendimento médio por hora das trabalhadoras domésticas foi de R$ 12,86, quase metade do rendimento médio do total das mulheres ocupadas no Estado, que passava de R$ 24.
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Publicado: 10/06/2026
ABET Associação Brasileira de Estudos do Trabalho