Conduzida por José Dari Krein, Marcelo Manzano, Marilane Oliveira Teixeira
No dia 13 de agosto de 2026, o Eixo Temático 02 do do INCT Trabalho, Inclusão e Equidade, intitulado A persistência das desigualdades sociais e sua articulação com os padrões de trabalho, reuniu-se para debater o texto “Desigualdade que produz trabalho precário: a concentração de renda e riqueza também molda o mercado de trabalho brasileiro”, de autoria de José Dari Krein, Marcelo Manzano e Marilane Teixeira. A atividade integrou as oficinas de discussão do grupo e promoveu o debate sobre as relações entre desigualdade de renda e riqueza e a conformação do mercado de trabalho no Brasil.
A reunião contou também com a participação de Adalberto Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET), contribuindo para a discussão sobre desigualdades, estrutura ocupacional e precariedade do trabalho no país.
O artigo analisa a relação entre a elevada concentração de renda e riqueza e a formação de um mercado de trabalho estruturalmente marcado pela precariedade no Brasil. A hipótese central sustenta que a desigualdade social não é apenas um subproduto da dinâmica econômica, mas um princípio organizador que molda a morfologia ocupacional, incentivando a criação de postos de trabalho de baixa produtividade e mal remunerados, concentrados especialmente nos serviços pessoais, notadamente onde se concentram as trabalhadoras mulheres e a população negra. A pesquisa adota uma perspectiva crítica fundamentada na economia política do trabalho e na heterogeneidade estrutural, utilizando dados da PNAD Contínua (IBGE) e do World Inequality Database (WID) para analisar indicadores sociais entre 2012 e 2025. O estudo conclui que a desigualdade é um determinante ativo da estrutura ocupacional brasileira. Portanto, sua superação requer não apenas políticas redistributivas, mas uma transformação substantiva do padrão de organização produtiva e do trabalho no país.
Publicado em 13 de agosto de 2026
ABET Associação Brasileira de Estudos do Trabalho