José Dari Krein defende fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho em debate na CBN

Professor do IE e pesquisador do CESIT argumentou que a mudança pode reduzir desigualdades, preservar a saúde dos trabalhadores e recuperar a centralidade do trabalho no desenvolvimento do país

Por: Cesit na Mídia | CP Unicamp


José Dari Krein, professor do Instituto de Economia (IE) da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT), participou de debate promovido pela rádio CBN sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho.

O encontro abriu a série “50 debates para o Brasil”, criada pela emissora para discutir temas que deverão ocupar o centro da campanha eleitoral. Krein debateu com Alexandre Furlan, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que defendeu a negociação coletiva e associou uma eventual redução da jornada ao aumento prévio da produtividade.

Favorável ao fim da escala 6×1, Krein afirmou que a medida beneficiaria diretamente os segmentos mais vulneráveis do mercado de trabalho, entre eles trabalhadores de baixa renda, jovens, mulheres e pessoas negras. Em sua avaliação, o Brasil não deve considerar apenas o número de empregos gerados, mas também a qualidade das ocupações, marcada por baixos salários, jornadas extensas e poucas possibilidades de qualificação e planejamento do futuro.

O professor lembrou que cerca de 73% dos trabalhadores brasileiros recebem até dois salários mínimos e aproximadamente 37 milhões cumprem jornadas de 44 horas semanais. Para Krein, a redução do tempo de trabalho também contribuiria para enfrentar os afastamentos relacionados à saúde mental, associados à pressão, à intensificação das atividades, à insegurança profissional e à insuficiência de descanso.

Ao responder ao argumento de que a mudança poderia prejudicar a produtividade, o pesquisador recordou que a Constituição de 1988 reduziu a jornada legal de 48 para 44 horas sem produzir o colapso do mercado de trabalho previsto por setores contrários à medida. Segundo ele, as empresas tendem a reorganizar seus processos diante de mudanças na legislação, e a economia brasileira dispõe de espaço para reduzir a jornada e eliminar a escala 6×1.

Krein sustentou ainda que o cálculo da produtividade deve considerar não apenas o valor produzido pelo trabalhador, mas também a remuneração recebida. O ponto central, afirmou, é recuperar a valorização do trabalho como elemento de um projeto de desenvolvimento que assegure condições para que as pessoas vivam para além do ambiente profissional.

O debate completo está disponível no vídeo abaixo.


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Data de publicação 23/07/2026

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