Marcha da Classe Trabalhadora leva milhares às ruas de Brasília

Postado por: Sindicato | SINPRO-DF


Um dia após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhar ao Congresso Nacional o projeto que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a classe trabalhadora ocupou as ruas de Brasília nesta quarta-feira (15) em uma marcha que combinou mobilização e um sentimento de conquista nas reivindicações históricas da classe trabalhadora.

Logo no início da mobilização, o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, afirmou que a conquista só se dá com pressão: “Na história, nenhum direito da classe trabalhadora foi uma dádiva, sempre foi com muita luta, com muita mobilização. Então é assim que nós vamos buscar a nossa pauta”.

Ele destacou ainda que o envio do projeto já representa um passo importante: “Ela já é vitoriosa porque o presidente Lula acaba de enviar ao Congresso Nacional o projeto em caráter de urgência que acaba com a escala 6 por 1”.

A Vice-presidenta da CUT e presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, reforçou o papel da mobilização popular: “Essa pauta só vai andar, só vai acontecer, se a gente fizer pressão popular, se o povo se mobilizar, se vier cobrar o Congresso, entregar a pauta. O governo do presidente Lula mandou o projeto pela redução da jornada e pelo fim da escala 6 por 1, mas o Congresso tem uma maioria de empresários. Então essa marcha é importante para isso, porque foi assim que a gente conseguiu avançar em outras pautas, com mobilização e pressão nas ruas”, disse a dirigente

A Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) precedeu a marcha, na manhã desta quarta-feira. Dirigentes das centrais sindicais além e parlamentares participaram do encontro que aprovou a pauta da classe trabalhadora para 2026. O documento atualiza as pautas definidas em 2022 e serve como orientador para as eleições de 2026.

Conclat

Durante a Conclat, o Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou o momento como histórico. “Hoje saiu no Diário Oficial da União o projeto de lei com regime de urgência enviado pelo presidente Lula, que acaba com a escala 6 por 1 e reduz a jornada de trabalho para 40 horas por semana, sem redução de salário”.

Já o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apontou o horizonte político da proposta. “Hoje nós iniciamos a contagem regressiva da grande vitória que nós vamos ter, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Vamos aprovar no Congresso Nacional ainda neste primeiro semestre”.

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) também ressaltou que o fim da escala 6×1 será conquistado com enfrentamento ao posicionamento dos representantes da direita, contrários à proposta. Para ela é preciso acabar com o que chama de escravidão moderna.

”Mais uma vez a direita diz que o Brasil vai quebrar se aprovar o fim da jornada 6 x 1. Mas nós sabemos que quem quebra o Brasil é a direita, os representantes que se curvam aos Estados Unidos e que propõe ao Brasil um tarifaço e retiram direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”. Rosário também lembrou que as mulheres serão as mais beneficiadas pela proposta, pois têm dupla e até triplas jornadas de trabalho.

Um dia histórico também foi definida a data de hoje pelo deputado Carlos Veras (PT-PE) ao reafirmar o seu compromisso e do presidente Lula com a classe trabalhadora.

“Nós temos esse compromisso com você e, nas ruas, mobilizados, nós vamos fazer com esse projeto de lei seja aprovado o mais rápido possível na Câmara dos Deputados e no Senado para garantir uma jornada de trabalho digna sem redução de salário”, declarou.

A tramitação para que o projeto seja aprovado foi explicada pelo deputado Vicentinho (PT-SP). Segundo ele, a maneira mais rápida para a aprovação foi ter enviado a proposta como Projeto de Lei, pois uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) demandaria a necessidade de mais votos de parlamentares,

”Uma PEC significa 308 votos, mas com 300 empresários [eleitos como deputados] como é que nós vamos aprovar essa lei?” questionou.

Vicentinho explicou que o presidente Lula ao apresentar um projeto de lei em caráter de urgência constitucional bastam 257 votos e 45 dias para ser votado.



Data da publicação: 15/04/2026

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