Síntese Especial | O caso das Americanas S.A. e potenciais impactos para os trabalhadores e o sistema financeiro brasileiro

Por DIEESE

Uma das maiores empresas do varejo brasileiro, a Americanas S.A. (Americanas) divulgou, em 11 de janeiro de 2023, Fato Relevante ao mercado e aos acionistas para informar a detecção de inconsistências contábeis em demonstrações financeiras de exercícios anteriores, inclusive 2022, estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. O texto dizia que ainda não eram conhecidos todos os impactos que as inconsistências poderiam gerar nas demonstrações financeiras da companhia. Também não foram detalhadas as origens das inconsistências contábeis, mas conforme indicado no Fato Relevante, os problemas estariam vinculados à “existência de operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem acima (R$ 20 bilhões), nas quais a Companhia é devedora perante instituições financeiras e que não se encontram adequadamente refletidas na conta fornecedores nas demonstrações financeiras”.

Em outras palavras, as Americanas alegam contabilização inadequada das chamadas operações de “risco sacado”, que ocorrem quando uma instituição financeira fornece crédito para uma empresa adquirir produtos de fornecedores. As Americanas tomavam empréstimos dos bancos, para efetuar compras dos fornecedores mediante pagamento à vista, fazendo dívidas sobre as quais incidem juros. Na contabilização de parte das operações, nos últimos anos, os valores não foram inseridos na conta de dívida bancária da empresa e, sim, na conta de fornecedores, como se não houvesse intermediação da instituição financeira no processo. Essa seria a fonte das alegadas inconsistências contábeis, que precisariam de reclassificação, provavelmente com republicação de balanços da empresa de anos anteriores.

A subnotificação contábil da dívida bancária melhorou “artificialmente” os indicadores de endividamento, desempenho e patrimônio das Americanas, garantindo que a empresa tivesse acesso a melhores condições de crédito (em termos de volume de empréstimos concedidos, prazos e juros cobrados) do que ocorreria se a contabilização tivesse sido realizada de maneira correta.

A reclassificação das contas poderá, portanto, gerar modificações importantes nos cálculos e demonstrativos da empresa dos últimos anos e deve indicar a necessidade de aporte financeiro por parte dos acionistas, para fazer frente ao novo cenário de endividamento das Americanas.

Após a divulgação das inconsistências, o valor das ações da empresa na Bolsa de Valores caiu e agências de classificação de risco, como Fitch, S&P e Moody’s, rebaixaram as notas de crédito das Americanas – o que ocorreu novamente após o pedido de recuperação judicial da empresa, em 19/01/2023.

Diante desse cenário, esse texto traz apontamentos sobre possíveis impactos do caso Americanas para os trabalhadores e para o sistema financeiro do país. O cenário de recuperação judicial traz a necessidade de se compreender a extensa cadeia produtiva que envolve as Americanas, empresa presente em todo o país, com mais de 2.000 fornecedores. Em especial, é necessário agir de forma rápida e transparente para preservar a atividade econômica e proteger os mais de 44 mil funcionários do grupo e os empregos indiretos, que, segundo estimativas, juntos representam mais de 100 mil trabalhadores.

Este texto está dividido em duas partes. A primeira trata da atual estrutura do grupo Americanas S.A., em termos de segmentos de atuação, número de lojas e distribuidores, e apresenta os principais dados referentes ao quadro de empregados, como perfil e distribuição regional pelo país. A segunda parte traz considerações acerca dos possíveis impactos para o sistema financeiro nacional e o mercado de crédito em 2023.

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Fonte: DIESSE

Data original da publicação 01/02/2023

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